E(femme)ra

Os quilómetros passam, voam, na correcta proporção dos pensamentos que fogem do meu controlo e galgam montanhas e atravessam vales para se deterem na tua pele. Respiro fundo a cada passada e imagino-te o cheiro. Apresso-me, sem te conseguir alcançar. O coração bate e a pulsação sobe, entre o suor que me abandona à sorte da tua imagem e a perspectiva da tua presença. Coisa efémera, a liberdade... Pois que - de pensamentos aprisionados em ti - corro de volta para o cárcere, imaginando que são os teus braços que me esperam e o teu regaço que me recebe, numa fresca manhã de Primavera.
"Ciprestes e estrelas", Van Gogh